Sábado, 18 de Fevereiro de 2012

Viva México!!! III - Guacamole!


Para finalizar os pratos que preparei para o banquete mexicano não poderia faltar esta outra estrela mexicana: GUACAMOLE!!!


Embora esta receita não seja de todo mexicana... já que aprendi de uma amiga colombiana! Entretanto para mim é a melhor receita de guacamole que já experimentei!


- 1 Abacate madura
- Sumo de 1/2 limão
- 1 colher de chá rasa de pasta de alho
- Sal q.b.
- (opcional: salsinha e/ou cebolinha)


Abra o abacate e raspe toda a polpa para uma tigela com a ajuda de um garfo, deite metade do sumo de limão por cima do abacate e comece a esmaga-lo com o garfo. Quando mais molinho ele estiver mais fácil será esta tarefa! acrescente o alho o sal e o resto do sumo de limão e misture bem. Prove para ver se falta algo, corrija se for necessário decore com um pequeno punhado de salsinha e sirva acompanhado de Doritos!



Sabor:
Dificuldade:
Praticidade:

E por fim uma foto de meu almoço mexicano que foi uma delícia e, além de tudo, super fácil de se preparar!!!

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

Viva México!!! II - Chili express!

Agora que já temos um belíssimo acompanhamento vamos para o prato principal! E a minha escolha foi.... o famoso Chili!
Uma comida quente, em todos os sentidos, e substanciosa... que pode ser que não seja de digestão fácil para quem não está acostumado... mas que com certeza é de extremo agrado para as papilas gustativas!
Uma nota importante é que esta receita em especial eu não retirei de nenhum lugar específico, foi de certo modo uma criação minha inspirada em outras receitas e que já havia visto... e nos chilis que já havia comido em restaurantes especializados.... bem como na minha noção gastronómica... 
E busquei utilizar alguns ingredientes que utilizo normalmente em meu quotidiano que agilizam as minhas tarefas na cozinha para fazer um prato apetitoso porém prático!


Receita:
400g de carne picada (pode ser uma carne para estufar magra, e peça para picar duas vezes!)
1/2 vidro de feijão encarnado cozido (aproximadamente 200g)
1 vidro (500 ml) de tomates triturados ou de polpa de tomate
1 xícara de cebola picada congelada (compro destas no supermercado pois são mais práticas e evito de ficar com as mãos a cheirar cebola todos os dias, mas se não tiver, ou se preferir, uma cebola média bem picada)
1 1/2 colheres de sopa de vinha d'alho (gosto de utilizar uma bem vermelha e que leva pimentos triturados, pois assim agrega-se mais sabor)
2 colheres de chá de pasta de alho (ou dois dentes pequenos bem esmagados)
Sumo de limão (algumas gotas)
1 folha de louro
Pimenta do reino q.b.
Sal q.b.
Molho de piri-piri q.b.
Azeite q.b.
Salsinha picada q.b. (eu uso congelada também)
1 ou 2 colheres de sopa de açúcar


Tempere a carne picada com sal, pimenta do reino, um pouco de salsinha, o alho e algumas gotas de sumo de limão. Misture bem para distribuir igualmente o tempero por toda a carne e deixe a carne descansar por uma meia hora para que haja tempo do tempero fixar-se bem na carne.
Em um tacho com fundo grosso e em temperatura mínima deite o azeite e a vinha d'alho e quando começar a ouvir os primeiros estalos indicando que o azeite está quente coloque metade da carne picada. Quando esta porção já estiver no ponto retire-a da panela (reservando-a em um prato fundo) e coloque o restante da carne picada. Esta etapa é importante para que a carne possa sobretudo fritar e não cozer. Deste modo ela ficará mais tenra. Quando a segunda porção estiver chegando ao ponto deite a carne reservada e misture bem para terminar de cozer as duas juntas. 
Deite o feijão encarnado e misture bem.
Acrescente a polpa de tomate e o molho de piri-piri na quantidade desejada, eu gosto de deixar menos picante e levar a mesa o frasco de molho, assim para quem não gosta muito do piri-piri o chili não fica tão forte, e para quem gosta de experiências mais intensas é só acrescentar mais no prato! Prove e corrija a acidez do molho com o açúcar e caso falte sal acrescente um pouco mais. Junte também a folha de louro e mais um pouquinho de salsinha e cozinhe mexendo sempre (do contrário irá queimar no fundo, o que não é assim tão trágico mais dificulta a lavar o tacho...) quando levantar fervura pode esperar mais uns 5 minutos e já estará pronto para servir!



Sabor:
Dificuldade:
Praticidade:

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Viva México!!! I - Pão de milho super fácil!




Por vezes me apetece fazer refeições (almoço ou jantar) étnicos, alguns dia tenho vontade de comer comida japonesa... outros dia árabe... mas o momento da vez foi a comida mexicana!!! Por isso esta série se dedica a compartilhar receitas deliciosas e super fáceis de um almoço mexicano que preparei aqui em casa!

Como acompanhamento principal fiz um delicioso pãozinho de milho, se você já esta pensando: "Pão! Isso dá trabalho!" pode parar por aí e ler a receita até o final! Aí irá ver que seus conceitos vão mudar a respeito deste pão e do trabalho que dá fazê-lo...

A receita tirei deste blog, mas já havia conferido outras iguais em outros blogs pois esta é a receita do tradicional "Corn bread" americano.


Receita:

1 xícara de farinha de milho amarela grossa (eu usei a que achei no supermercado, e no verso dizia que era tipo 70)
1 xícara de farinha de trigo
2 a 4 colheres de sopa de açúcar (usei duas de açúcar amarelo)
1 colher de sopa rasa de fermento em pó
1/2 colher de chá de sal (eu usei um pouquinho mais...)
2 ovos 
1 xícara de leite
1/4 xícara de óleo ou azeite ou manteiga derretida (no caso usei a manteiga) 

Unte uma forma rectangular média com azeite (ou o que preferir) e farinha de milho.
Em uma tigela grande misture as farinhas, o sal, e o fermento de maneira a que se mesclem bem. 
Em outra tigela menor bata ligeiramente os ovos, acrescente a manteiga derretida e o leite e bata misture-os.
Na tigela maior (com os secos) arrume de modo a deixar um buraco no centro e verta a mistura líquida neste buraco e mecha com uma colher até obter uma massa homogénea e pegajosa.
Distribua a massa na forma e asse em fogo mínimo por 30-40 minutos ou de acordo com seu forno. A superfície deve ficar levemente dourada, podendo apresentar algumas rachaduras e se fizer o teste do palito o mesmo saíra bem seco.
Corte em pedaços médios e sirva! 



Sabor:
Dificuldade:
Praticidade:

Quinta-feira, 6 de Outubro de 2011

Bolo de Limão e Bagas Goji


Neste feriado (5 de Outubro, Implantação da República Portuguesa) procurei uma receita fácil de bolo, para fazer aqui em casa para lanche da tarde (que se transformou em 'janta', pelo tanto que comemos dele rsrsrsrs) O mais difícil era achar uma receita na qual tivéssemos todos os ingredientes aqui em casa, já que aqui por perto estava tudo fechado...
Foi aí que achei esta receita! E com algumas adaptações consegui fazer um bolo delicioso!!! Muito fofo, e com um sabor.... As Bagas Goji entraram na história para substituir as cranberries, e na tentativa de utiliza-las de uma forma que ficassem apetitosas, porque apesar de seu valor nutricional surpreendente, seu sabor não é assim.... a melhor coisa....


Receita:



150g de manteiga sem sal, amolecida
300g de açúcar refinado
3 colheres de sopa de sumo de limão 
2 colheres de sopa de raspas de casca de limão
4 ovos
420g de farinha de trigo
2 colheres de chá de fermento em pó
1 pitada de sal
240ml de leite
1 xícara de Bagas de Goji
3 colheres de sopa de GlÖGG

Calda: 3 colheres de sopa de sumo de limão
4 colheres de sopa de açúcar de confeiteiro


Pré-aqueça o forno a 180°C. Unte a forma que irá utilizar que no meu caso foi uma forma média com furo ao centro e mais uma forma pequena com furo no centro. 
Em uma tigela grande bata a manteiga e o açúcar até obter um creme claro e fofo. Junte o suco e as raspas de limão, os ovos, um por vez, e continue batendo.
Em outra tigela, misture a farinha, o fermento e o sal. 
Adicione os ingredientes secos à mistura de manteiga ovos e açúcar, alternando com o leite, batendo só até incorporar cada adição. Junte as Bagas de Goji que ficaram previamente imersas no GlÖGG junto com o líquido e misture com o auxílio de uma espátula.
Divida a massa entre as formas preparadas e asse por 30-40 minutos (o tempo irá mudar de acordo com o tamanho da forma) ou até que os bolos cresçam e dourem (faça o teste do palito). 
Retire do forno.
Prepare a calda: numa tigela pequena, misture bem o açúcar e o sumo de limão. Despeje sobre os bolos ainda quentes e deixe esfriar. 
Aí é só saborear!




Sabor:
Dificuldade:
Praticidade:

Sábado, 1 de Outubro de 2011

Folhados de queijo



Esta ideia veio da vontade de usar algo que toda vez que ia ao super mercado me deparava: Massa folhada! Podia ser congelada ou fresca, até então nunca havia comprado um pacote de massa folhada para usar cá em casa! Resolvi portanto fazer um recheio de queijos, poderia ser um patê de ricota caso tivesse ricota por aqui... mas como não foi o caso... Inventei com o que tinha na geladeira!


- 400g de massa folhada congelada (ou a que encontrar)
- 170g de queijo fresco 
- 25g (ou mais) de queijo roquefort ou gorgonzola
- 50g (ou mais) de queijo camembert
- 100g de queijo da ilha ralado
- 50g de queijo parmesão ralado
temperos a gosto
pode-se acrescentar azeitonas picadas, ou nozes picadas, ou passas... enfim, tudo o que preferir e tiver disponível!
- 1 ovo para pincelar


Deixe a massa descongelar se for este o caso. Abra o queijo fresco e deixe escorrer todo o líquido que vem no pacote, se tiver um passador grande vire o queijo sobre o passador e deixe-o ali por alguns minutos. Quando o queijo já estiver bem sequinho coloque-o em uma tigela. Coloque  os outros queijos na tigela, se forem um pouco rijos, como por exemplo o camembert, pique-o em pedaços pequenos. Acrescente os temperos, eu gosto muito de utilizar uma mistura pronta de tempero para salada. Com a ajuda de um garfo comece a esfarelar todos os queijos e mistura-los até obter uma pasta. Acrescente as azeitonas, nozes,... ou o que mais tiver e misture bem. Reserve.
Quando a massa já estiver no ponto, pegue um bom pedaço de papel manteiga e coloque-o sobre a superfície em que irá abrir a massa. Coloque a massa sobre ele e vira a borda do papel deixando uma boa margem para todos os lados da massa. Com um rolo de massa comece a abrir a massa folhada até ela ficar mais fininha. Corte-a em tiras tentando obter quadrados, é claro que em muitos pedaços estes não serão assim tão perfeitos... mas não se preocupe tanto...
Coloque dentro de cada quadradinho  uma colher de chá do recheio, dobre os vértices de cada quadrado para dentro, conforme o desenho abaixo, pressione os cantinhos para fechar bem a trouxinha, e vá distribuindo em uma assadeira forrada com papel manteiga.


Em uma pequena tigela bata o ovo e pincele todos os salgadinhos tomando o cuidado para que o ovo não escorra muito no papel, pois caso o contrário ele irá queimar e poderá deixar zonas negras nos folhados.
Asse em forno pré- aquecido até que estejam dourados.
Sirva-os morninhos!


Uma variação que fizemos destes salgados foi um cone, acrescentando um pequeno pedaço de presunto, deve-se tomar atenção para que as pontas da massa fiquem posicionadas para baixo na hora de assar.


Caso sobre recheio, ele fica perfeito como acompanhamento de torradas, e o sabor dele não cozido é bem diferente, logo seus convidados não irão enjoar!


Obs: Rende aproximadamente 22 unidades.



Sabor: 



Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

Bolo de Avelãs com Nutella



Estava de férias, recebendo algumas visitinhas especiais aqui na minha casa, e para complementar meu portátil parou de funcionar e teve que ir para a assistência.... E por estes motivos, acrescidos de uma certa preguicinha.... eu fiquei um bom tempo sem dar as caras por aqui.... Mas cá estou outra vez!!! E trago mais uma receitinha deliciosa de bolo de aniversário....
Dessa vez o aniversariante foi meu pai, e eu resolvi fazer um bolo com um recheio que eu sabia que ele iria adorar: Nutella!!!
A receita da massa veio daqui, usei como base a receita de Bolo Victoria tradicional.... mas fiz algumas alterações que não o deixaram tão tradicional assim...


Massa:
- 225g de manteiga sem sal em temperatura ambiente
- 225g de farinha de trigo com fermento
-225g de açúcar fino
- 4 ovos grandes
- 2 colheres de sopa de cacao em pó
- 1 colher de chá (rasa) de bicarbonato de sódio
-1 colher de chá (rasa) de fermento em pó
(sim eu não confio nas farinhas com fermento... sempre acrescento mais!)

-125g de avelãs partidas
- Manteiga e farinha para untar a forma


Recheio:
-400g de Nutella
- 200g de natas para bater


Cobertura:
- 200g de chocolate amargo (usei um 52% cacao)
- 200g de natas para bater


Para decorar:
-100g de avelãs partidas


Para regar:
Desta vez chutei o pau da barraca e reguei com Vermute puro mesmo! para ficar aquele gostinho de fundo... mas se crianças forem comer regue com guaraná mesmo que já está ok!

Bom depois de ler esta lista de ingredientes já deve estar aterrorizado imaginando as calorias... gorduras... mas enfim essa não é para ser uma receita ligth mesmo! E bolo de aniversário tem que ser bem, mas bem farto!!! Sem contar que é um bolo para comer fatias fininhas.... e poucas... é denso, delicioso e doce... bastante amanteigado, caso queira algo mais levezinho... não coloque recheio! faça o bolo, a cobertura e pronto! Mas não sirva em um aniversário!!! Porque seria decepcionante... me fez lembrar os bolos que comi em algumas festinha na Venezuela... eram lindos, todos decorados... me dava água na boca imaginando como seria bom comer aquele bolo... quando me serviam constatava que o bolo era só uma massa sequinha, sem nem sequer uma camadinha de geleia como recheio! Terrível!!! Definitivamente: Não façam isso em um aniversário!!! ( E se tiver colesterol alto, coma só uma fatiazinha e nada mais! Porque realmente o nível de gorduras saturadas é bastante alto...)
Mas agora chega de papo e vamos ao modo de preparo!
Deixe todos os ingredientes separados e pesados de antemão, será mais fácil na hora da confecção. Acrescente junto da farinha o fermento o bicarbonato de sódio e o cacau, e misture tudo.
Pré-aqueça o forno a 180ºC, unte e enfarinhe uma forma redonda de aro removível (ou duas formas mais baixas e com mesmo diâmetro)
Coloque a manteiga, que já deve estar bem molinha, e comece a bater (com a batedeira, ou se não tiver com uma colher) vá acrescentando aos poucos o açúcar, e bata até que ele dissolva-se por completo na manteiga. Agora é hora de acrescentar os ovos, um por vez! Acrescente um ovo e bata até ele ser incorporado, só assim acrescente o outro, e repita o processo até terminar os 4 ovos. Comece a acrescentar a farinha aos poucos, mas não bata em demasia a farinha, pois pode começar a desenvolver glúten tornando o bolo duro (palavras do Jamie Oliver!). Por fim misture as avelãs picadas grosseiramente, este toque acrescentará uma textura muito interessante ao bolo que é tão macio e húmido. Deite a massa na forma e alise a superfície muito bem, se estiver assando em 2 formas o tempo de cozedura será de aproximadamente 20min, de estiver fazendo como eu, e assando em uma única forma o tempo será um pouco maior, e é melhor abaixar um pouco a temperatura para não queimar nem a base nem a superfície. Não gosto de dividir a massa em duas assadeiras, embora seja bem mais fácil na hora de decorar - não exigindo muita habilidade ao cortar o bolo ao meio - porque acredito que o bolo mantem mais a umidade assim... Mas faça ao seu gosto!
Enquanto a massa arrefece prepare o recheio. Em uma tigela deite a Nutella e depois as natas, e bata com um fuet. A consistência final será de um creme um pouco líquido.
Quando a massa já tiver arrefecido desenforme-a. Lave bem a forma que usou para assa-la e seque-a muito bem pois irá usar em seguida. Faça um corte longitudinal ao meio da massa, para obter dois discos. Coloque dentro da forma o disco que tiver mais deformações, e com a superfície plana para baixo (eu coloquei o disco que obtive do topo do bolo, pois o centro havia afundado) regue com o Vermute e acrescente todo o creme de Nutella. Em seguida coloque o outro disco, com a parte mais plana voltada para cima, regue novamente com o Vermute. Cubra a forma com película plástica e leve a geladeira para que o recheio fique mais firme.
Algumas horas antes de servir prepare o ganache para a cobertura, derretendo o chocolate e misturando o creme de leite. Desenforme o bolo já no prato em que irá servir, e cubra-o com o ganache recém feito, alisando-o muito bem. Decore ao seu gosto. utilizei avelãs levemente trituradas, mas gostaria de ter usado alguns bombons Ferrero Rocher, entretanto como estamos no verão não os encontrei... Leve o bolo novamente para a geladeira e tire-o de lá somente para servir.


Se o dia estiver muito quente, infelizmente ele não aguentará em sua bonita forma por muito tempo fora da geladeira, pois como o recheio é bastante amanteigado ele começa a derreter... mas garanto-lhes que o sabor não se altera em nada!!!

Segunda-feira, 25 de Julho de 2011

Notas de Cozinha de Leonardo da Vinci

Em uma pesquisa por livros de culinária no catálogo das Bibliotecas da Universidade de Lisboa (sim, por mais improvável que fosse achar algo deste assunto, eu fiz esta pesquisa!) eu encontrei um livro que me chamou muito a atenção: Notas de Cozinha de Leonardo da Vinci, e o melhor é que ele encontrava-se na biblioteca da faculdade que frequento (FBA),  logo tinha acesso mais facilmente a este título tão curioso.

Esperei a maré baixar, e quando tive um tempinho livre requisitei o título para conferir de perto sobre o que se tratava! E a surpresa foi boa e interessante!  Os autores  Shelag & Jonathan Routh  motivaram-se a pesquisar sobre o assunto devido a ausência  de registos de Leonardo acerca da culinária; já que Leonardo da Vinci é conhecido pela sua grande curiosidade sobre inúmeras áreas e tendo ele demonstrado tamanho apreço pela representação culinária denominada A última ceia.

Causou sempre uma certa estranheza o facto de alguém tão curioso em relação a tudo (como era o caso de Leonardo da Vinci) ter deixado um espólio tão reduzido em termos de referências relevantes acerca da comida e da culinária. Isto, num homem cuja maior e mais reconhecida realização pictórica, essa representação de parcimónia culinária denominada A ultima ceia, em que gastou três anos de sua vida, abordava tanto questões de comida como valores espirituais. Isto num homem que no seu testamento deixou uma parcela considerável de seus bens a um ser muito particular: a sua cozinheira, Battista de Villanis. Isto num homem que, durante toda a sua vida, se interessou tanto por alimentação e culinária como por projectos de pinturas e fortificações, além de investigar inúmeros outros assuntos que despertavam a sua curiosidade.” (Sheling & Jonathan  Routh, 2002, ps: 9 e 10)

O pequeno trecho já é suficiente para nos mostrar a leitura agradável que o livro nos proporciona, como também o inusitado tema ali explorado. Para quem está acostumado com um Leonardo exposto nas aulas de História da Arte, um grande Génio a frente de seu tempo, se depara com um outro Leonardo, não menos genial, mas um pouco mais cómico e extravagante: Um homem que desde criança tem um fraco por doces, que escapava (quando criança) da oficina de Verrochio para trabalhar em um botequim florentino para ganhar alguns trocados. Que abriu uma taberna com Sandro Boticelli (empreendimento fracassado devido as ideias avançadas para o tempo de Leonardo). E que se tornou mestre de folia e de banquetes na corte de Sforza, exercendo tal cargo durante mais de 13 anos!
Apesar de todos estes feitos conhecidos, e brilhantemente narrados no livro, os autores ressaltam que poucas eram as anotações conhecidas de Leonardo sobre culinária e comida. Até então ter-se conhecimento de um texto denominado Codex Romanoff, texto este que é impossível ser autenticado como texto genuíno de Leonardo da Vinci, mas que no entanto possui uma série de motivos para no final o ser.

Sendo assim o livro Notas de Cozinha de Leonardo da Vinci nos apresenta uma primeira parte denominada: Leonardo da Vinci na Cozinha, onde são narrados inúmeros episódios gastronómicos de Leonardo, desde sua infância, até sua estadia na corte dos Sforza, passando pela realização dA última ceia. A segunda parte já trata do Codex Romanoff, e possui inúmeras dicas e “receitas” provavelmente de Leonardo da Vinci.

Sem sombra de dúvidas o livro é excelente! Não apenas  por nos trazer factos curiosos da vida deste grande mestre, ou por ser elaborado de maneira tão divertida, a qual nos faz pensar que estamos a ler um bom romance, mas sobretudo porque nos aproxima de uma realidade vivida a cerca de 500 anos atrás. Conhecer acerca da comida e da maneira de se comer é conhecer a cultura de outros povos, no caso, Itália por volta de 1500. Ler tal livro consiste em  uma imersão aos costumes florentinos, ou a corte dos Sforza. Mas sobretudo nos esclarece um pouco mais sobre a mentalidade do Renascimento, e como é claro, a de Leonardo da Vinci, que como podemos perceber, até mesmo quando o assunto era comida, estava muito a frente de seu tempo.